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Fluentes em internetês

Vc, ou melhor, você fala internetês? Sabe o que é isso? O “internetês” é uma simplificação da escrita informal utilizada principalmente por jovens em bate-papos na internet e em programas que trocam mensagens on-line, como o MSN por exemplo. Também é utilizada em fóruns, listas de discussão, e-mails e até nas mensagens SMS, trocadas por celular. O internetês é a linguagem dessa cultura cibernética. Tem seus próprios vocábulos, expressões, neologismos (palavras novas, criadas ou derivadas de outras que já existem) e abusa das abreviações. Até aí, tudo parece bem. O grande problema é quando essa linguagem ultrapassa as barreiras virtuais e vai parar em bilhetes, cadernos e, pior, nas provas e redações.

Jaqueline Palazzo e Carlos Eduardo Heidy, o Cadu, ambos de 14 anos e alunos do RUMO Vestibulares, gostam de comunicar-se usando o internetês. “Tenho preguiça de escrever muito e encurto todas as palavras. Mas, para mim, não atrapalha em nada nas provas, porque costumo ler muito. Escrevo assim por brincadeira mesmo”, explica Jaqueline. Cadu confessa que o intenetês já o deixou confuso na hora de escrever: “Eu percebo que está errado, mas me confundo para escrever e tenho que ficar atento”.

Seja versátil!

Para evitar o problema, os professores podem ajudar orientando os estudantes e acostumando-os a utilizar as diferentes linguagens de maneira correta e adequada a cada ocasião. “A escrita da internet tem outra estrutura de idéias e reflete o cotidiano. Não há problema com ela, desde que o aluno não se confunda na hora de escrever uma redação, por exemplo. O bom usuário da língua portuguesa é versátil e transita bem em diferentes domínios”, explica o professor de Língua Portuguesa do RUMO Vestibulares Fábio Henrique Passoni Martins. A dica é mesmo ler muito e se acostumar a acompanhar editoriais de jornais, reportagens de revistas e a literatura, até mesmo poesia.

Abreviações e infantilização da linguagem

As principais características do internetês são a aproximação da escrita com a fala e a abreviação de palavras a fim de tornar mais rápida a comunicação, economizando tempo e espaço (muito importante nas mensagens de celular). Assim, “muito” vira “mtu”, “teclar” vira “tc”, abraços vira “abs”, e assim por diante. O final “o”, de falo, dá lugar ao final “u”, de “falu”, assim como o “e” final de “gente” e “filme” é grafado como “i”: “genti” ou “filmi”. Da mesma forma, é normal observarmos a ausência de pontuação e de acentuação e uma “infantilização” da linguagem (o “ch” e o “z” nos finais de palavra se transformam em “x”), como no exemplo a seguir, retirado de um “blog”, diário virtual escrito na internet:

“Gui, miguxu filix niver ti desejo tda felixidadi d mundu, conti comigu sempri... txi dolu mtu!”. Veja o mesmo trecho “traduzido” para a linguagem formal: “Gui, amigo querido, feliz aniversário! Te desejo toda a felicidade do mundo! Conte comigo sempre, te adoro muito!”. A palavra “miguxu”, também encontrada como “migu”, é um exemplo de neologismo do internetês. Neste outro trecho retirado de um blog, vemos a abreviação de palavras e a troca dos acentos agudos, como em “é” pelo final “h”, como “eh” por exemplo; a terminação “ão” substituída por “aum”; ou ainda a troca do “c” e “qu” por “k”: “Qntu tempu sem entra aki! malz aew galera.... eh q eu mudei d cidad.... e soh coloko net em ksa hj! bjaum pa vc!!”. Veja a “tradução”: “Quanto tempo sem entrar aqui! Foi mal, galera, é que eu mudei de cidade e só colocaram internet em casa hoje. Um beijão para você!”.

Eu sei escrever!

Para o professor Pasquale Cipro Neto, o internetês é válido quando usado somente na internet: “Se o sujeito souber que essa linguagem funciona nesse território, tudo bem. Se não souber, tudo mal. É preciso ter claro quando ele pode usar aquelas expressões e quando não pode. Linguagem é como uma roupa, devemos saber o que usar de acordo com cada situação, em cada momento”. O grande segredo é realmente manter o bom senso e deixar o internetês para os momentos de lazer e descontração ao teclar com a turma. Na hora de estudar, siga a dica do professor Pasquale e não erre no figurino nem na linguagem!

Mas não se engane, nem todo jovem que acessa a internet e troca mensagens via MSN se utiliza do internetês. Muitos rejeitam a linguagem e preferem o português formal para comunicar-se. Recentemente um fórum tecnológico criou um movimento de valorização da língua portuguesa, lançando a campanha “Eu sei escrever”, com o objetivo de reduzir os erros propositais nas mensagens enviadas pelos freqüentadores do site . A campanha ganhou repercussão na internet e apoio de jovens de todo o Brasil.

Para conhecer melhor o movimento e até mesmo apoiá-lo, leia mais detalhes no
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